ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO DEBATE A CONSTRUÇÃO DE CIDADES PARA CIDADÃOS E VISITANTES

Durante o Fórum de Municípios realizado pela Organização Mundial de Turismo (OMT), no dia 5 de abril em Lisboa, representantes de várias cidades do mundo, Ministério da Economia de Portugal, UNESCO, ONU-Habitat, Banco Mundial, Comitê Europeu das Regiões, se reuniram para discutir o Turismo Sustentável.

No encontro, vários pontos sobre o tema foram abordados. Entre o que foi discutido, está a informação das Nações Unidas que destaca que, em 2015, 54% da população mundial vivia em áreas urbanas e que até 2030 esta fatia deverá crescer para 60%. Juntamente com a rápida urbanização, o crescimento do setor do turismo nos últimos anos, impulsionado pelo transporte, maior mobilidade, facilitação de viagens, novas tecnologias, tais como plataformas e aluguel de propriedade e serviços de hospitalidade e uma crescente classe média, tem feito cada vez mais destinos turísticos populares.

A riqueza gerada pelo turismo doméstico e internacional também foi apontado por contribuir significativamente para o desenvolvimento socioeconômico de muitas cidades e seus arredores e o turismo urbano é também importante impulsionador da promoção e preservação cultural.

Ainda de acordo com as declarações do fórum, o crescimento do turismo urbano também cria importantes desafios em termos de uso de recursos naturais, mudanças ambientais, impacto sociocultural, condições de trabalho justas, infraestrutura, mobilidade, paz e segurança, gestão de congestionamentos e relações com as comunidades.

A criação das chamadas “Cidades inteligentes”, tem um enorme potencial para gerar um impacto positivo para os moradores locais e os turistas, tornando-as mais habitáveis, gerenciáveis, sustentáveis e acessíveis.

Os princípios do Código Mundial de Ética Global para o Turismo da OMT também foram abordados. Eles se destinam a maximizar os benefícios, minimizando o impacto negativo no ambiente, nos patrimônios culturais e sociedades em todo o mundo.

UNWTO Fórum dos Prefeitos para o Turismo Urbano Sustentável

Os representantes das cidades participantes criaram uma série de ferramentas de promoção e concordaram em trabalhar para:

1. Assegurar que as políticas de turismo urbano estejam alinhadas com a Nova Agenda Urbana das Nações Unidas e os 17 ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis, incluindo “tornar cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”, tornando o ODS a estrutura comum para alinhar todos os atores relevantes em turismo;

2. Alinhar o desenvolvimento do turismo urbano com os princípios do Código Global de Ética para o Turismo;

3. Promover a inclusão do turismo na agenda da cidade como um meio para tornar o turismo um verdadeiro contribuinte para o desenvolvimento de cidades inclusivas, resilientes e sustentáveis;

4. Estabelecer modelos de governança para o turismo urbano que envolvam as administrações em todos os níveis – nacional, autoridades locais e regionais, o turismo e outras administrações relevantes, o sector privado e comunidades locais;

5. Promover mecanismos de comunicação e colaboração baseados em evidências entre todos os intervenientes, incluindo autoridades nacionais, regionais e municipais, sector privado, comunidades locais e turistas;

6. Melhorar a integração das comunidades locais na cadeia de valor do turismo, promovendo seu engajamento no setor e garantir que o turismo se traduza em riqueza baseada na comunidade criação e emprego decente;

7. Promover a contribuição do turismo na criação de cidades como espaços que promovem a diversidade cultural, diálogo intercultural, inovação e geração e troca de conhecimento;

8. Promover práticas sustentáveis que promovam uma utilização mais eficiente dos recursos e uma redução emissões e resíduos no âmbito da economia circular;

9. Maximizar o uso de big data – respeitando a privacidade dos visitantes – e tecnologia para planejar melhor medir e gerenciar o turismo urbano e promover decisões baseadas em evidências e planejamento em questões como capacidade de carga, habitação, mobilidade, gestão de recursos naturais e culturais e as atitudes dos residentes em relação ao turismo;

10. Investir em tecnologia, inovação e parcerias para promover destinos inteligentes – melhor tecnologia para abordar governança, sustentabilidade, acessibilidade, mobilidade “suave” e inovação – assegurando total integração e alinhamento com a política municipal mais abrangente;

11. Promover produtos e experiências turísticas inovadoras e o uso de ferramentas e plataformas digitais que permitam à cidade diversificar a demanda no tempo e no espaço, promover estadias mais longas e atrair o direito segmentos de visitantes de acordo com sua visão e estratégia de longo prazo e com objetivos;

12. Promover a medição e o monitoramento do turismo urbano, a fim de assegurar a sustentabilidade o desenvolvimento de destinos de forma relevante e oportuna;

13. Considerar os turistas “residentes temporários” e garantir que a política de turismo promova a engajamento de visitantes e moradores de forma holística;

14. Considerando as comunidades de acolhimento como “residentes permanentes”, garantindo que a política de turismo engajamento das comunidades locais de maneira holística;

15. Incentivar os prefeitos, autoridades locais e regionais e todas as partes interessadas envolvidas no setor de turismo, de todo o mundo, para participar de um esforço comum para construir turismo e cidades para todos, incluindo os visitantes.

Publicado por Camila Lucchesi – BRASILTURIS