O TURISMO TEM PRESSA

Certa feita um engenheiro recebeu uma incumbência de entregar uma grande obra em 4 anos. O prazo era apertado e fatal, pois tinha que construir algo monumental que não poderia ocorrer falhas e atrasos, tampouco alterações no orçamento contratado. A obra consistia no erguimento de uma grande barragem e que, se não feita no prazo, inundaria uma grande vila onde moravam centenas de pessoas e abrigava um enorme acervo histórico, turístico e cultural.

Ele não tinha tempo a perder e saiu a contratar os melhores servidores e especialistas no assunto. Precisava disso. Não podia falhar na escolha dos especialistas. Sabia que, não bastava ser seu amigo ou ser uma pessoa boazinha. Os escolhidos tinham que ter absoluta competência e conhecimento do babado.

Só que não. Foi traído pela pressão do submundo que impera e corrompe aquele país. Colocou um mestre de obra   apadrinhado.  Claro,   a barragem não ficaria pronta no tempo, e teve que fazer amarrações “meia boca”. A obra ruiu e com ela o sonho e esperança de muitas pessoas.

Com raríssimas exceções, no turismo acontece a mesma coisa.

O apadrinhado incompetente, não tem força para impor um orçamento melhor para o turismo. Por isso, o orçamento ocupa sempre o último lugar. Com isso, o círculo vicioso se instala de vez. Não faz porque não tem e não tem por isso não faz. A par disso, o felizardo apadrinhado precisa se manter no cargo e aí, seduz alguns neófitos e oportunistas que lhe dão a guarida e a espuma necessária. E assim caminha a humanidade. Quem sabe um dia, nos rebelemos desse status quo.

O setor por sua vez, assiste passivamente as nomeações publicas recorrentes, festivas e incautas.

Turismo é para especialistas e tem pressa, muita pressa.

Márcio Santiago

Presidente do Brasil C&VB

RAO, 01/10/2017