O turismo de saúde internacional: O Brasil só não lidera porque não quer

O Brasil possui 52 empresas, organizações, instituições das mais variadas com credenciamento junto aos padrões, normas e procedimentos ditados pela Joint Commission International, uma das entidades mais importantes no setor da saúde em todo o mundo. Além da JCI, diversos outros hospitais e clínicas possuem diversos outras certificações de qualidade, melhores práticas e padrões de alto nível exigido nos países mais desenvolvidos. Em termos de qualidade, o paciente privado brasileiro encontra no país excelentes profissionais, equipamentos e serviços, tudo de nível mundial e semelhantes aos melhores equipamentos encontrados na Europa e nos Estados Unidos. Nosso país é um polo turístico extraordinário, cheio de opções para todos os gostos, estilos e até mesmo gêneros. Há no país praias belíssimas, destinos serranos, temos a maior selva do planeta, o pantanal, a cultura pulsante de grandes cidades, inúmeras opções em lazer e diversão, além de diversos equipamentos para o turismo de eventos, sem ficar devendo absolutamente nada para ninguém. Se levarmos em consideração e somarmos estas duas grandes potencialidades – a disponibilidade de alto padrão em medicina e a oferta de atrativos e infraestrutura turística – chegamos à conclusão de que o Brasil tem potencial para atender a um segmento – o turismo internacional de saúde – que hoje gira ao redor de 45 bilhões de dólares anualmente e o tráfego de mais de 14 milhões de pessoas cruzando fronteiras em busca de soluções de alta qualidade e melhores preços para conquistar melhores condições de vida e qualidade. Os números são espantosos, comprováveis e os países que estão colocando em suas pautas de gestão o turismo de saúde internacional, altamente sustentável e funcional, começam a colher os frutos daquilo que conhecemos como planejamento sério e iniciativas positivas. Destacam-se dois países que estão à frente neste segmento – Colômbia e Costa Rica – onde a presença positiva da gestão pública fez a diferença e o segmento agora já atua por seus próprios desígnios. No caso recente do acidente com o avião onde pereceram os atletas da Chapecoense, belos hospitais desfilaram diante de nossos olhos e as vítimas tiveram atendimento de altíssima qualidade em Medellín e arredores. A entidade colombiana Pro-Export ficou responsável pela expansão do turismo de saúde e hoje o setor é altamente rentável e os destinos Cali, Cartagena e Medellín hoje despontam como centros de alta qualidade médica de padrão internacional. O mesmo acontece com Costa Rica e algumas regiões do México, reconhecidas por excelentes serviços dentários. Pois o Brasil pode ser melhor, maior, mais competente e líder inconteste deste mercado. Quem diz isto não sou eu, mas Jonathan Edelheit, CEO da entidade americana Medical Tourism Association, que já esteve por aqui várias vezes e ainda aguarda o “boom” do Brasil em direção à sua vocação. Jonathan ressalta, entretanto, que os melhores resultados necessitam ter a liderança do setor público, responsável pela amalgamação dos diversos players, como foi feito também na Malásia, Singapura, Jordânia, Guatemala, Coreia do Sul, Índia e outros diversos países. Eis o desafio para o novo Brasil que ressurgirá das cinzas com todo seu potencial: atuar na busca da liderança no segmento de turismo médico (ou de saúde). Qualidade humana, técnica e potencial não nos faltam.