BRASIL C&VB E CLIA BRASIL DEBATEM IDEIAS PARA MELHOR RECEBER CRUZEIRISTAS ESTRANGEIROS

Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil, e Marcio Santiago, presidente do Brasil CVB

RIO DE JANEIRO – Como receber passageiros que chegam ao Brasil em cruzeiros internacionais? Esta é a questão que está sendo devidamente respondida e debatida nesta sexta-feira (23), no Sol Ipanema Hotel, em evento realizado em parceria de Clia Brasil com o Brasil CVB. Agentes de viagens e representantes de CVBs participarão de uma tarde inteira de palestras, liderada pelo próprio presidente do Brasil CVB, Marcio Santiago, e pelo presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz.

Em entrevista ao M&E, o presidente do Brasil CVB, Márcio Santiago, afirmou que a ideia é criar um produto para ser devidamente compartilhado com os mais de 90 mil turistas estrangeiros que devem desembarcar nos grandes portos brasileiros nesta temporada 2018/19. “Sempre com o objetivo de facilitar o acesso dos passageiros aos nossos destinos. Isto agrega valor e acaba beneficiando todo o País. É uma ação interessante de âmbito nacional para criarmos um produto, após ouvir os CVBs, através de panfletos e aplicativos mobile, com serviços e atrativos que são possíveis de ter e conhecer após o desembarque em nossas cidades. É por isso que recebemos aqui hoje CVBs de cidades que contam com estas paradas, como Rio, Região dos Lagos, Litoral de SP, Bahia, entre outros”, disse.

Marcio Santiago, presidente do Brasil CVB

A expectativa é embarcar 470 mil cruzeiristas na temporada brasileira 2018/19. A estimativa é que haja um impacto de mais de R$ 2 bilhões na economia. No último ano, R$ 1,79 bilhão foram injetados na economia nacional. O presidente da Clia Brasil fez um panorama do setor e de seu potencial para os próximos anos. “Teremos sete navios nesta temporada, com 545 escalas e 133 roteiros. Com isso, voltamos ao patamar de 500 mil leitos na temporada, o que não acontecia há muito tempo. Pelo segundo ano seguido, temos 15% de aumento de oferta em relação a temporada anterior”, destacou Marco.

E a fórmula da Clia Brasil para aumentar a oferta com o mesmo número de navios está numa temporada maior, mais roteiros e a realização de mais mini-cruzeiros. “E o número de leitos cresce justamente pelo aumento da temporada. E para o futuro temos muito potencial. A América do Sul recebe apenas 2% dos navios de cruzeiro. Por outro lado, há 113 navios em produção ou encomendados até 2027, um recorde para a indústria. Para onde estes novos navios irão? Quem fizer o melhor trabalho, atrairá estas embarcações”, revelou.

DESAFIOS FUNDAMENTAIS PARA ATRAÇÃO DE NAVIOS

Marco Ferraz elencou os fatores fundamentais para uma cidade atrair navios. “O destino tem que ter apelo turístico, tem que ser conhecido para estimular os turistas a comprar aquele roteiro. O destino precisa ser seguro, precisa ter um porto e um píer. Além disso, precisa ter um local para que um navio fundeie, com 12m de profundidade e 600 metros de raio para o giro de uma embarcação. O píer precisa ser regulado pela Antaq, a Marinha precisa dar toda a segurança, precisa haver um SPU regularizado e ter autorização do meio ambiente”, revelou Marco Ferraz.

Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil

O presidente da Clia Brasil afirmou ainda que é necessário ter um transporte, por vezes gratuito, para levar os cruzeiristas para os passeios e centros comerciais. “Outra medida importante é a sinalização em inglês, com boa orientação e direcionamento, e o envolvimento de toda a comunidade local”, elencou o presidente da Clia Brasil. “E os estrangeiros, que passam pelo Brasil através dos navios de passagem pela costa, também tem sua importância. Tanto é que o destino com mais diárias destes turistas é o Rio de Janeiro, com 51. Manaus (33) e Salvador (15) fecham o Top 3”, completou.

Se temos destinos, como vendê-los? “Um destino que quer ser colocado no mapa dos navios, que atualmente são 314 navios com 537 mil leitos, deve participar de feiras mundiais como a Seatrade Cruise Global, que tem basicamente 90 destinos chamando a atenção dos navios, entre outras grandes feiras em outros continentes. Nós da Clia queremos trabalhar para juntar vários atrativos num estande só numa feira dessas, porque a briga é grande. A Clia Brasil hoje atua  principalmente para desenvolver, regulamentar e promover o setor, além de diminuir os custos”, finalizou Marco Ferraz.

Por: Pedro Menezes – M&E